Entrevista Rafael Mariachi

Rafael Mariachi

Rafael Mariachi

BM Quanto tempo trabalha no bar?

RM- Trabalho há 14 anos como bartender, mas meu primeiro trabalho com entretenimento foi com 12 anos de idade.

 

BM Fale um pouco da trajetória profissional do Rafael Mariachi?

RM- Me interessei pela profissão depois de assistir Cocktail com Tom Cruise, como muitos colegas. Fiz meu primeiro curso na Hotec aonde aprendi a base da coquetelaria clássica e um ano depois tive o prazer e a honra de fazer um curso com o Bertone, um cara genial. Eu bem tentei seguir no flair, mas sou muito desastrado para isso. Comecei com dois pequenos estágios nos hotéis St. Raphael e Renaissance. Depois passei por dezenas de casas noturnas, algumas que nem lembro o nome mais. Daí fui para restaurantes, buffets, bares pequenos (servi muita dose de whisky vagabundo em bar de pagode no começo). Passei um tempo no Oeste do Pará dando cursos de coquetelaria e voltei à São Paulo para  assumir o PJ Clarke’s, tradicionalíssimo bar americano que me deu espaço na mídia. De lá trabalhei por um ano na Drink.Lab aonde aprendi muito. Fiquei a frente por 4 anos do Projeto Bartender Learning for Life da DIAGEO com cursos gratuitos para pessoas com baixa renda. Devo ter formado quase 200 alunos nesse período. Esse ano assumi como mixologista o Grupo São Bento de Gastronomia aonde tomo conta de um projeto especial que é o Anexo SB. Hoje também dou aulas na Pro Drinks e no SIndicafe de São Paulo. Disputei alguns campeonatos e meus melhores resultados foram o Vice-campeonato do Bacardi Mojito Masters em 2010, 5º colocado no Absolut Creative em 2010, campeão brasileiro e vice-campeão sul-americano do campeonato mundial Bols Around The World 2012 e bi-campeão brasileiro e novamente vice-campeão sul-americano em 2013.

 

BM Onde você busca inspiração para desenvolver os coquetéis?

RM- Eu amo história, amo criar histórias. Talvez por isso goste tanto de participar do BATW por permitir isso.Eu gosto que meus coquetéis tenham uma história exclusiva como os clássicos. Sonho em um dia poder contar todas as minhas histórias em coquetéis. E dentro dessas histórias, de alguma forma os sabores surgem e aí só faltam ajustes.

 

BM Dos campeonatos que você participou, qual na sua opinião foi o mais importante pra sua carreira?

RM- Claro que por ser vitorioso o BATW em 2012 e 2013 foram o meu ápice até hoje. Mas não posso deixar de mencionar o Grey Goose Viv la Revolution de 2012 no qual fiquei na última colocação. A ideia era ótima, o coquetel era ótimo, mas fui indisciplinado e não treinei. Minha apresentação foi ruim e atropelei o tempo permitido. Isso me mostrou que não importa em que nível você está ou em que nível você acha que está. A disciplina é que leva você a conquista de tudo.

 

BM Como você vê a coquetelaria em São Paulo e no Brasil hoje?

RM- O nível técnico explodiu. A internet possibilitou pra quem mora em regiões distantes realizar pesquisas – na maioria das vezes gratuitamente – para aprender e aplicar da mesma forma que fazemos aqui. Nomes como o Braynner em Recife, Bruna Abeijon e Jefferson Reimman em Porto Alegre demonstra isso. A coquetelaria não está mais condicionada no sudeste do Brasil. Há muito talento pra encontrar nesse país.

 

BM Como você vê essas novas tendências da coquetelaria como a mixologia molecular, flavor paring, flavor profile entre outras que vem surgindo?

RM- Eu não gosto de ver isso como tendência. Tendência trás a impressão que todos têm que aplicar a determinada técnica e não é verdade. Acho que tudo é a favor quando bem aplicado. A mixologia molecular me ajuda a solucionar vários problemas e me dar várias possibilidades no meu bar. Infusões em sifões, espumas e emulsificações podem ser aplicadas em qualquer coquetel de forma fácil. Técnicas de mapeamento são importantes para a organização de receitas. O problema é que o bartender não aprende antes a usar a técnica com sabedoria e seu bar vira um festival de bolinhas.

 

BM Você acredita que o perfil do profissional de bar vem mudando nos últimos anos? Quais as mudanças na sua opinião são mais evidentes?

RM – Sim, mas tem algumas questões que me preocupa. O bartender vem constantemente procurando especialização técnica, talvez pela magia dos campeonatos. Mas esquece que o trabalho de bartender requer muitas outras habilidades para seu sucesso e reconhecimento profissional e financeiro. Não dá pra viver de paixão. Você trabalha para ganhar dinheiro independente se você ama o que faz. É necessário separar suas características para cada situação. Mas pra fechar com algo positivo, é muito bom ver novos talentos do bar de nível tão alto. Acho que estamos passando pelo melhor momento da coquetelaria no Brasil.

 

BM Para os barmans que estão iniciando na area agora, qual seria seu conselho?

Não pensem só em campeonatos, ou sair em revistas. Isso não te dá norte. Estude não só as técnicas, mas formas precisas de cuidar de seu cliente. Cuidar e não atender. Corra atrás de administração, contabilidade, matemática financeira, publicidade. Invista em sua imagem e pense bem em cada passo que você dá quando se trata de carreira. Estude sempre, sorria sempre e seja o melhor amigo do homem!

Rafael Mariachi